sexta-feira, 15 de março de 2013

Minha Desgraça - Álvares de Azevedo

Minha desgraça, não, não é ser poeta,
Nem na terra de amor não ter um eco,
E meu anjo de Deus, meu planeta
Tratar-me com trata um boneco...

Não é andar de cotovelos rotos,
Ter duro como a pedra o travesseiro...
Eu sei...O mundo é um lodaçal perdido
Cujo sol ( quem mo dera ! ) é o dinheiro...

Minha desgraça, ó cândida donzela,
O que faz que o meu peito assim blasfema,
É ter para escrever todo um poema,
E não ter um vintém para uma vela.

Observamos nos versos simples do poema: " não tem aonde cair vivo, porque morto cai em qualquer lugar "
A razão social da contradição aonde o poeta não reconhecido, perde as suas esperanças - a do amor e a
do dinheiro. Ainda hoje, o artista sem mídia, é um artista desconhecido.